No mercado fitness, planejamento não evita a crise — mas define quem sobrevive a ela

A diferença entre academias que atravessam turbulências e as que fecham as portas não está na ausência de crise, mas no preparo para reagir com método dentro do mercado fitness

Por Fernando Tadeu, colunista Fitness Brasil
13/2/2026

Existe uma ideia confortável — e perigosa — no mercado fitness: a de que planejamento serve para prever o futuro. Não serve. Isso é ilusão.

Planejamento não existe para impedir crises. Ele existe porque a crise vai acontecer. E é exatamente nesse ponto que muitos gestores de academias se perdem.

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Crises fazem parte da trajetória de qualquer academia. Mudanças econômicas, sazonalidade, aumento de custos, queda de frequência, instabilidade no consumo. Nada disso é exceção. A diferença real entre academias que sobrevivem e academias que quebram não está na ausência de crise, mas na forma como reagem a ela.

Planejamento não é adivinhação

Planejar não é tentar prever todos os cenários possíveis. Quem tenta controlar o futuro acaba paralisado ou frustrado.

Planejamento é criar margem de decisão. É ter clareza suficiente sobre números, processos e prioridades para agir com critério quando o cenário aperta.

Sem planejamento, o gestor reage no impulso. Com planejamento, ele reage com método.

A diferença entre reagir e improvisar

Quando a crise chega, todos precisam reagir. Mas reagir não é o mesmo que improvisar.

Quem planeja:

  • sabe exatamente o custo de manter a academia funcionando;
  • entende o impacto de cada decisão no caixa;
  • conhece as alavancas que pode acionar sem comprometer o negócio.

Quem improvisa:

  • corta onde dói menos no curto prazo;
  • decide baseado em medo;
  • troca estratégia por sobrevivência imediata.

Improviso não é coragem. Improviso é desespero disfarçado de ação.

Academias quebram menos por crise e mais por falta de preparo

Ao longo dos últimos anos, ficou claro que poucas academias quebraram exclusivamente por fatores externos. A maioria sucumbiu porque entrou na crise sem estrutura mínima de gestão.

Sem controle de caixa. Sem leitura clara de indicadores. E também sem processos que sustentem decisões difíceis.

Quando o cenário aperta, quem não se preparou perde tempo tentando entender o problema — e tempo, em crise, é o recurso mais caro.

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Planejamento é liberdade, não rigidez

Existe outro mito comum: o de que planejamento engessa a operação. Na prática, acontece o oposto.

Planejamento dá liberdade. Liberdade para errar menos, corrigir mais rápido e escolher o melhor caminho — mesmo sob pressão.

Gestores que têm números organizados, processos claros e metas realistas:

  • sofrem menos emocionalmente;
  • cometem menos erros graves;
  • ajustam a rota antes que o problema se torne irreversível.

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Crise é inevitável. Improviso é opcional

Todo gestor de academia vai enfrentar crises. Isso não está em debate. O que está em debate é a escolha que antecede esse momento: preparar-se ou improvisar.

Planejamento não impede a crise. Mas o improviso garante que ela seja pior.

E, no mercado fitness, sobreviver não depende de sorte — depende de preparo.

Fernando Tadeu atua no mercado fitness desde 2002, sendo que, desde 2007, atua na área de gestão. Participou de projetos em academias nas cinco regiões do país e também na América Latina. Consultor associado na Ideal Gestão de Academias, com foco em desenvolvimento de estratégias comerciais, financeiras e de marketing. Instagram @_fernandotadeu

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